10 de mai. de 2012

Asteróide Vesta é promovido à categoria de 'quase planeta'


Protoplaneta nunca se desenvolveu por completo, diz artigo na Science


O gigantesco asteroide 4 Vesta é, na verdade, um planeta que nunca se desenvolveu por completo - um protoplaneta. Seis artigos diferentes discutem as novas descobertas na próxima edição da revista Science, que será publicada nesta sexta-feira. A análise ajuda a compreender como se formaram os planetas do Sistema Solar.



Ficha técnica

VESTA

Nome: 4 Vesta
Descoberto em: 29 de março de 1807
Circunferência: 525 quilômetros
Localização: Entre Marte e Júpiter
Dados: Vesta foi o quarto asteroide descoberto, por isso o número '4' em seu nome. É um dos maiores asteroides do Sistema Solar e compreende 9% da massa do cinturão de asteroides entre Marte e Júpiter. É também o asteroide mais brilhante visto da Terra.

O estudo mostra que o Vesta é mais parecido com um planeta do que com um asteroide. O astro de 525 quilômetros de diâmetro tem a segunda maior massa entre os asteroides do Sistema Solar e só perde para o planeta-anão Ceres, também considerado um asteroide. Ambos se encontram no cinturão de asteroides que existe entre Marte e Júpiter. Vesta seria considerado um planeta-anão se não ficasse localizado em um cinturão de asteroides e tivesse o 'caminho livre' como Plutão.

De acordo com o estudo, 4 Vesta se formou durante os primeiros milhões de anos do Sistema Solar. Os cientistas acreditam que ele surgiu a partir de um amontoado de gases e poeira que restaram após a formação do Sol, há mais de 4,5 bilhões de anos, contendo materiais radioativos. O calor adicional teria feito o asteroide derreter, formando um núcleo de ferro e uma crosta externa de lava. Possivelmente, o quase-planeta sustentou um campo magnético, como o da Terra.

Os pesquisadores basearam-se em dados capturados pela sonda Dawn, da Nasa, a agência espacial americana. Segundo os estudos, 4 Vesta é a fonte de um tipo específico de meteoritos, chamado HED, que de vez em quando atingem a Terra.
Missão — Depois de viajar por cerca de quatro anos e percorrer 2,8 bilhões de quilômetros, a sonda foi capturada pela gravidade do asteroide e entrou em sua órbita no dia 15 de julho de 2011. Desde então, os cientistas puderam observar Vesta de perto. Os astrônomos descobriram, por exemplo, que a superfície do corpo celeste tem mais variação de cores do que a maioria dos asteroides. Em 2015, a sonda Dawn deixará a órbita de Vesta e partirá para estudar Ceres.

25 de abr. de 2012

O SUICÍDIO DO TITANIC


Nesse mês, o mundo todo está comemorando o afundamento do Titanic, o transatlântico superfaturado que se chocou com um iceberg nas águas geladas do Atlântico Norte em 1912. Eu fui o único brasileiro que participou deste evento catástrofe internacional que agora será relançado em 3D.
Desde garoto, o meu maior sonho era fazer um cruzeiro marítimo numa superprodução de Hollywood! E assim, depois de ficar três anos sem almoçar nem jantar, consegui economizar dinheiro suficiente pra comprar uma passagem de figurante na terceira classe do Titanic. Segundo os engenheiros que o construíram, o Titanic era igual ao Brasil: os ricos ficavam por cima numa boa, os pobres ficavam espremidos lá embaixo e ninguém achava que aquela merda ia afundar.
Nunca se viu tanto luxo quanto na Primeira Classe do Titanic. As lagostas do bufê falavam três línguas e tinham doutorado em Cambridge. Os milionários mais ricos do mundo, os Astor, os Vanderbilt, os Guggeinhem, o Waltinho Moreira Salles, o Eike Batista e o Carlinhos Cachoeira, disputavam pra ver quem gastava mais dinheiro e comia mais mulheres (não necessariamente nesta ordem). Numa noite de bebedeiras alcoólicas, jogatina e uso indiscriminado de drogas estupefacientes, Cornelius Vanderbilt acendeu um Havana com uma nota de 100 dólares. Injuriado com aquela demonstração de ostentação gratuita, Lord Astor não deixou barato e acendeu sua amante com uma nota de mil dólares!
Os banheiros das suítes eram de uma luxo nababesco que deixava o Taj Mahal no chinelo. Ao lado do vaso sanitário todo em ouro maciço e brilhantes Cartier, havia um anão malaio 24 horas à disposição para realizar a higiene íntima dos magnatas abonados.
Enquanto os ricos chafurdavam em montanhas de caviar, nós lá na geral do navio só tínhamos o Leonardo di Caprio pra comer. Mas como a fila era grande, nem sempre sobrava um pedaço para a minha pessoa. Penalizado com a minha miséria, uma ratazana me ofereceu um pedaço de queijo que me sustentou durante toda a dramática travessia.
Numa noite fria, resolvi subir até a ponte de comando para fumar um baseado com o capitão do navio. O velho lobo do mar apertou um charuto de maconha que foi devidamente carburado por toda a tripulação. Inebriados pelos eflúviios maléficos da marofa, a Orquestra do Titanic começou a tocar os maiores sucessos de Bob Marley que, naquela época, não havia nem nascido. Enquanto todos estavam completamente emaconhados, o vigia, o único careta à bordo, gritou:
- Comandante! Um Iceberg à frente!
- Iceberg! Rosenberg! Goldenberg! É tudo a mesma coisa! Passa por cima! - retrucou o capitão do Titanic que, além de maconheiro, também era anti-semita e gostava de piadas velhas.
  Quando o mega navio começou a afundar, o pânico e a balbúrdia tomaram conta dos passageiros. Por todos os lados, víamos, assustados, efeitos especiais espetaculares! E agora em 3D!!! O que ninguém sabe até hoje é que o Titanic era uma obra do PAC, Programa de Aceleração das Catástrofes e foi todo feito nas coxas pra ser inaugurado em ano de eleição. As chapas de aço eram de madeira compensada, só havia um bote salva-vidas e dez bóias de patinho para todo mundo! Preocupados em salvar suas peles, visons, minks e malas Louis Vuitton, os milionários queriam escapar do naufrágio, salvar suas fortunas e afundar suas mulheres (necessariamente nesta ordem).

1 de abr. de 2012

A bruxa tá solta

Infelizmente, me faltam clichês e lugares comuns neste momento para comentar a morte do meu amigo pessoal (e impessoal também) Millôr Fernandes, o genial Millôr. Pena que o Millôr não possa comentar o seu próprio velório para demolir, uma a um, as bobagens que as pessoas estão falando sobre ele. É por causa do falecimento de pessoas como Millôr e Chico Anysio que eu sempre combati a morte com unhas e dentes e, até hoje, me recuso veementemente a bater as botas. Para desespero dos meus 17 leitores e meio (não esqueçam do anão que é o meu maior fã, quer dizer, menor fã).

Orfão de pai e mãe ainda na infância, Millôr, devido às más companhias, acabou caindo no jornalismo de imprensa. Conheci o Millôr no tempo da revista O Cruzeiro, a Veja daquela época, que era dirigida por Assis Chateaubriand que, mais tarde, desistiu do jornalismo para virar filé. Eu trabalhava de dia em A Noite, de tarde em O Dia e de noite em A Manhã. Brilhante, Millôr foi o maior frasista do Brasil, quer dizer, do mundo. Muito melhor que Oscar Wilde que pode ser considerado o Millôr Fernandes da língua inglesa. Millôr também traduziu Shakespeare para o português e ficou muito melhor que o original. Jogador inveterado, apostou tudo no Pif Paf, semanário de humor que os exames de DNA comprovaram ser o pai do Pasquim.

Escritor, jornalista, dramaturgo, desenhista e artista gráfico, Millôr também exercia a arte da conversa fiada com maestria. Ver o Millôr, ao vivo, falar com graça e inteligência sobre praticamente qualquer assunto era uma espetáculo admirável e, confesso, humilhante para nós, pobres mortais, que só usamos 10% da capacidade do nosso cérebro e assim mesmo só para pedir uma propina.

E como se não bastasse o Melhor Fernandes, lá se foi para a terra dos humoristas de pés–juntos o grande Chico Anysio. A Santa Casa de Misericórdia não tinha caixões em estoque suficientes para sepultar os 209 personagens do grande humorista, um dos poucos cearenses que não virou sushi-man. Além de seus personagens inesquecíveis, Chico Anysio contribui muito para o aumento populacional do Brasil fazendo um montão de filhos. Para pagar tantas pensões alimentícias, Chico teve que ralar até o fim da vida o que, aliás, foi ótimo pra nós, seus fãs, que também não conseguíamos sobreviver sem as suas piadas. Generoso, Chico também era preocupado com a educação e criou a Escolinha do Professor Raimundo que matriculou muitos humoristas, alguns até que não sabiam nem ler nem escrever. Polivalente, versátil e cheio de contas pra pagar, Chico fazia de tudo: escrevia, atuava, dirigia, fazia músicas e pintava. Pintava e bordava. A quantidade de mulheres maravilhosas que o esquálido pau de arara traçou supera até mesmo o número de personagens que criou.

E eu vou ficar bem quieto aqui no meu canto, na última página do Segundo Caderno, na minha, porque a bruxa está dando um rasante pro lado dos humoristas. Por que é que esta sinistra feiticeira não vai voar com a sua vassoura pro lado dos políticos, onde tem tanta gente boa pra morrer e, assim, dar uma alegria pro povo brasileiro?

22 de nov. de 2011

ENEM QUE A VACA TUSSA!


Antigamente o terror era o vestibular. Hoje em dia é o Enem. É quase a mesma coisa. A diferença é que antes, quando o candidato não passava, a culpa era só dele. Agora, se o sujeito vai mal na prova, divide a responsabilidade com o ministro da educação que sempre faz uma cagada. Outra novidade é que o colégio acaba se ferrando também. Muita gente deixa de matricular seus filhos num colégio cuja média no Enem é baixa. Sinceramente acho que os professores também deviam fazer uma prova. No mínimo pra tirar o corpo fora. E a gente ouviria o seguinte diálogo nos corredores:

Aluno: – Pô, me ferrei no vestibular! Não aprendi nada… também estudando nessa espelunca…Olha só a média do colégio no Enem.

Professor: – Não vem com esse papo brabo, não! Eu me dei bem na minha prova. Isso significa que ensinei tudo direitinho. Você é que não aprendeu porque é burro…

Às vésperas dos exames é comum matérias na tevê falando sobre a tensão dos candidatos. E o conselho é invariavelmente o mesmo: parar de estudar pra não ficar estressado na hora da prova. Alguns alunos, não querendo correr esse risco, acabam não estudando o ano inteiro…

A verdade é que hoje em dia o pessoal anda estudando cada vez menos. E muitas vezes a culpa é dos pais. Quando o cara começa a tirar notas baixas, ao invés de contratar um professor particular, eles levam o coitadinho num psicólogo que logo dá uma explicação:

- O garoto sofre de d.d.a. , déficit de atenção.

Cá pra nós, desde quando isso é doença? No passado, déficit de atenção era chamado de vadiagem. Ora, se o moleque não quer nada com o estudo e não presta a menor atenção na aula, é claro que ele vai ter déficit de atenção! Resultado: o garoto não tem nem trabalho pra arrumar uma desculpa pra sua preguiça, seus pais pagam um profissional pra isso!

Os pais atualmente fazem um esforço danado pra se convencer de que o problema é outro. Alguns não entendem como o filho se dá tão mal nos exames se ele passa o dia inteiro trancado no quarto na frente do computador. Como se o cara virasse a noite consultando a Biblioteca do Congresso Americano. E todo mundo sabe que o vagabundo passa o tempo todo no MSN, no twitter e no facebook!

Um outro motivo muito alegado é o bullying. Especialistas garantem que o aluno não estuda porque não quer ser discriminado na escola. Se for bom aluno, vai ser zoado pela turma e pode comprometer sua sociabilização. Deixa ver se eu entendi: o sujeito é inteligente, mas não estuda pra não ficar com fama de nerd. Depois não passa no Enem, não se forma e fica com fama de desempregado…. Essa solução não me parece muito inteligente. Ninguém quer parecer um nerd, de óculos fundo de garrafa e cabelo certinho, como se fosse uma versão 2.0 do Bill Gates. Não consigo imaginar uma gata na balada comentando com a amiga:

- Tá vendo aquele carinha ali, com a maior cara de bilionário americano do ramo da informática? Não vou dar pra ele, não…
                                                           por Helio de Lapena                                                            

27 de ago. de 2011

Gato-maracajá


Ordem: Carnívora
Família: Felidae
Nome popular: Gato-maracajá
Nome em inglês: Margay
Nome científico: Leopardus wiedii
Distribuição geográfica: América Central e América do Sul
Habitat: Florestas
Hábitos alimentares: Carnívoro
Reprodução: Gestação de 81 a 84 dias
Período de vida: Aproximadamente 13 anos

Pertence a Classe Mammalia, ordem Carnivora, família Felidae, sub-família Felinae, espécie Leopardus wiedii. É um gato selvagem da fauna brasileira, considerado de pequeno porte, com medidas que variam de 42 a 62 cm de cabeça e corpo, de 30 a 48 cm de altura, peso variando de dois a cinco kg e cauda medindo de 33 a 51 cm. Sua coloração também varia do amarelo ao marrom, ou castanho, tendo as rosetas largas, completas e espaçadas. Seus olhos grandes e a cauda longa são diferenças fundamentais para sua identificação. Atualmente ocorre desde as planícies costeiras do México ao norte do Uruguai e Argentina e em todo território brasileiro, menos caatinga e Rio Grande do Sul. Algumas referências mais antigas relatam sua presença também na florestas subtropicais no sul dos Estados Unidos. A fêmea entra em cio por volta de 6 a 10 meses, têm ciclo estral de 32 a 36 dias, com 4 a 10 dias de estro. Geralmente nasce apenas um filhote, raramente ocorrem gêmeos. O período de gestação é de aproximadamente 83 dias, tem hábito solitário e noturno, adaptando-se muito bem à vida arbórea. Alimenta-se de pequenos mamíferos, aves, répteis e alguns insetos. É classificado como vulnerável na lista de animais ameaçados. Em cativeiro pode viver 21 anos.
Fonte: Fundação Parque Zoológico de São Paulo

Jabuticaba-branca



Nome da fruta: Jabuticaba-branca

Nome científico: Myrciaria aureana

Família botânica: Myrtaceae

Origem: Brasil – Mata Atlântica

Características da planta: Árvore geralmente com 3 metros de altura, tronco com casca amarelada, ramos cilíndricos e terminais com pilosidade cinza-amarelada. Folhas lanceoladas, cartáceas, brilhantes, lisas na face superior e esparsamente pilosas na inferior. Flores de coloração alva, cálice esverdeado, aglomeradas nos caules e ramos.

Fruto: Tipo drupa, globosos, casca de coloração amarelo-esverdeada ou branco esverdeada, esparsamente pilosa, quando maduro. Polpa aquosa, ácida e adocicada que envolve as sementes levemente amareladas.

Frutificação: Verão

Propagação: Semente

A jabuticaba-branca não é branca, é verde; tão verde que sua árvore chega a ser conhecida como “aquela cujos frutos nunca amadurecem”. Amadurecem, sim, e tanto que já estão quase no final da vida, à beira da extinção. Não fosse o esforço de um grupo restrito de pessoas que decidiram dar nova chance à espécie, distribuindo centenas de mudas da planta para aqueles que se dispuseram a servir de guardiões dessa delícia quase esquecida.
Durante mais de dez anos, Silvestre Silva procurou exemplares dessa rara jabuticabeira para fotografar seus frutos. Encontradas com muito esforço nas proximidades da cidade de Guararema, no interior de São Paulo, junto com Flávio Carvalho Ferraz, Silvestre coletou boa quantidade da safra de três antigos pés da fruta ali existentes. Cuidadosamente preparadas por Dona Aparecida Ferraz, no sombreado pomar de sua residência no sul de Minas Gerais, as sementes se transformaram em disputadíssimas mudas, logo após a história ter sido divulgada no jornal Folha de S. Paulo, na metade da década de 1990.

Agora, para provar a fruta, é preciso esperar que as plantas espalhadas por diversos locais – desde cidades vizinhas à metrópole paulistana, a bairros centrais da cidade, até condomínios próximos a Belo Horizonte (MG), fazendas na Serra da Mantiqueira ou em quintais do litoral norte paulista – cresçam e reiniciem seu ciclo reprodutivo.

Por enquanto, quase só se pode falar da jabuticaba-branca como uma lembrança doce e remota do passado. Ainda no início do século 20, embora sempre em discreta quantidade, a jabuticaba-branca estava difundida por todo o Estado do Rio de Janeiro e em parte de São Paulo e de Minas Gerais, nos domínios da Mata Atlântica.

Costumava também habitar pomares e quintais caseiros, amedrontando meninos que, segundo relatos, a julgavam venenosa por seu aspecto exótico: ao contrário das demais frutas de pomar mais conhecidas, a misteriosa casca verde-clara levemente ondulada da jabuticaba-branca nunca mudava de cor.

Frutos sempre verdes

Assim como as jabuticabas e os cambucás, seus parentes da família das Mirtáceas, esses frutos encontram-se grudados aos trocos e galhos da pequena árvore, de belas folhas compridas e bem desenhadas. Juntas, aglomeradas como se estivessem se protegendo contra a devastação, as jabuticabas-brancas parecem ter mais força para lutar contra o esquecimento.

Mas aqueles que se atreviam a provar as jabuticabas-brancas davam-se com uma grata surpresa: a consistência mesma da polpa suculenta da jabuticaba, mas de um sabor mais suave e perfumado como de poucas frutas. Outros, entretanto, encontravam razões distintas para consumir a pequena fruta: nos tempos passados, era um santo remédio contra a asma e a diarréia, sendo também utilizada no tratamento auxiliar das afecções que acometiam os doentes em tempos de tuberculose. Segundo o escritor Hernâni Donato, para os cantores e românticos, a jabuticaba-branca era um conforto e um afago para a garganta, propícia companhia em noite de serenata.

Tudo isso muito antes de a planta ter sido batizada no Instituto de Botânica de São Paulo, em 1962, com o curioso nome de Myrciaria aureana. Mas, entre o branco e o áureo, a fruta permanece sempre verde, na eterna esperança de prosseguir existindo.

Fonte: Livro Frutas Brasil Frutas