Teve Copa. E teve relincho
O brasileiro médio saiu do armário. Na abertura do maior evento da história do País, teve a chance de mostrar em rede mundial sua maior virtude e não decepcionou: sabendo que seria visto e ouvido, fez exatamente o que faz em seu sofá diante da tevê e sem o menor pudor: relinchou. E relinchou alto, como quem enfia o sorvete na testa.
Não, não me refiro às vaias contra a presidenta Dilma Rousseff, talvez o maior termômetro do esgotamento de um modelo de gestão incapaz de propor soluções novas para velhos problemas. Me refiro aos xingamentos intercalados entre gritos de brasileiros com muito orgulho e muito amor. Confortáveis nas cadeiras padrão-Fifa, bem vestidos e bem almoçados, os representantes da brasilidade média não hesitaram em mandar em coro um “Ei, Dilma, vai tomar no cu”. O alvo do azedume, vale lembrar, era simplesmente a maior autoridade do País. E a autoridade, quando dá a cara ao tapa, como fez, não está imune a críticas ou vaias, merecidas ou não. (Até as cadeiras montadas em cima da hora na Arena Corinthians sabiam dos riscos da hostilidade. Os riscos, portanto, foram calculados). Mas, ao ser xingada, Dilma não se tornou apenas alvo de uma insatisfação. Tornou-se alvo da ignorância, do desrespeito e da arrogância.
Ignorância porque, se você perguntar aos probos embandeirados os motivos da bronca, duvido que soubessem responder além das quatro linhas do campo: “roubalheira”, “corrupção”, “vai para Cuba”, “metrô”, “legado”, “tem que sentar o cacete”, “impostos”. É a reação do cidadão Teletubbie, já descrito neste espaço: o cidadão que associa signos e produz emoções a partir de cores, bandeiras e frases feitas, mas é incapaz de ligar os pontos e elaborar qualquer relação entre alhos e bugalhos. Por isso, quando estimulados por uma imagem no telão (o poder?) relincham. Pudera: aprenderam em casa e nas escolas de ponta que xingar político era exercício de cidadania, ainda que reclamem por acordar cedo no domingo para votar a cada dois anos.
O xingamento é o descarte da associação honesta entre os pontos, entre eles o fato de que essa Copa não é dessa presidenta. Estava definida cerca de quatro anos antes de ela tomar posse e acordar com um Mundial inacabado no seu colo. Foi, talvez, a pior pegadinha deixada pelo seu padrinho e antecessor, este sim um entusiasta da ideia – assim como todos os governadores e prefeitos que saíram no tapa para ter em seu quintal uma Copa para chamar de sua. Mas autômato não vê fato nem vê argumento: apenas xinga quando sensibilizado, principalmente quando se sente confortável ao lado de tantos autômatos. (Não deixa de ser curioso: no tete-a-tete e em reuniões do condomínio, o rebelde de arquibancada chama bandido de doutor). O lapso entre os pontos chega ao absurdo de associar a crise do metrô à esfera federal, e não a uma quadrilha que transformou, nos últimos 20 anos, o sistema se transporte público de São Paulo em pula-pula de quermesse, com direito a cartel, propina, chefe de tribunal de contas enchendo as burras e secretário de primeiro escalão fingindo que o assunto não é com ele.
Mas a arrogância escancarada é filha da ignorância: a ignorância de quem vive em um país imaginário cujas mazelas são exteriores a ele, seu corpo e seus amigos e familiares. De corpo imune em corpo imune, criamos um país sentado no sofá (ou na arquibancada) à espera de milagres de tudo o que vem de fora. Por isso malha o professor, o porteiro, o policial e o político que ele despreza.
São os eternos rebeldes contentes. Os descontentes, fora do estádio, não deixaram por menos: quem propunha o boicote ao Mundial escancarava, sem querer, tudo o que sabia sobre a população mais surrada do País (nada) ao impor o que era bom para a tosse: desligar a tevê ou torcer para a Croácia. É uma atitude sintomática: o detentor da luz e da consciência vai até a comunidade dizer o que o morador da comunidade deve fazer para não ser um autômato. “Se o Brasil ganha, ganha a propaganda nacionalista. Mas eu acho que o Brasil vai ganhar porque a Copa está comprada. A reeleição da Dilma está no pé do Neymar”, disse à Folha de S.Paulo, durante o jogo, uma atriz de 26 anos que teve a bondade de sair de casa para catequizar os nativos.
Curiosa essa forma de conscientização: é mais ou menos como fazíamos no computador ao guiar os lemmings, aqueles bichinhos que não sabiam o que queriam nem para onde iam e dependiam da mão destra do jogador para não cair em abismos nem bater a cabeça na parede. Não, minha cara. A alienação que você jura combater não é resultado de propaganda nem do futebol. E, sim, é possível ser consciente e se rebelar com o que deve ser questionado antes, durante e depois de 90 minutos de jogo. Para quem levanta cedo no dia seguinte às partidas, a vida segue, talvez com mais cor, talvez com menos disposição. Mas segue. Seria melhor se seguisse sem levar nas costas as botas de uma velha pedagogia: a pedagogia do subestimado, a mesma que espalha relincho quando confunde indignação com arrogância. O autômato, pode acreditar, está do lado oposto do seu espelho
14 de jun. de 2014
25 de fev. de 2014
Política e politicalha
A política afina o espírito humano, educa os povos, desenvolve nos
indivíduos a atividade, a coragem, a nobreza, a previsão, a energia,
cria, apura, eleva o merecimento.
Não é esse jogo da intriga, da inveja e da incapacidade, entre nós se deu a alcunha de politicagem. Esta palavra não traduz ainda todo o desprezo do objeto significado. Não há dúvida de que rima bem com criadagem e parolagem, afilhadagem e ladroagem. Mas não tem o mesmo vigor de expressão que os seus consoantes. Quem lhe dará o batismo adequado? Politiquice? Politiquismo? Politicaria? Politicalha? Neste último, sim, o sufixo pejorativo queima como ferrete, e desperta ao ouvido uma consonância elucidativa.
Política e politicalha não se confundem, não se parecem, não se relacionam uma com a outra. Antes se negam, se excluem, se repulsam mutuamente.A política é a arte de gerir o Estado, segundo princípios definidos, regras morais, leis escritas, ou tradições respeitáveis.
A politicalha é a indústria de explorar o benefício de interesses pessoais. Constitui a política uma função, ou um conjunto de funções do organismo nacional: é o exercício normal das forças de uma nação consciente e senhora de si. A politicalha, pelo contrário, é o envenenamento crônico dos povos negligentes e viciosos pela contaminação de parasitas inexoráveis. A política é a higiene dos países moralmente sadios. A politicalha, a malária dos povos de moralidade estragada.
Trechos escolhidos de Rui Barbosa.Edições de Ouro: Rio de Janeiro, 1964.
Não é esse jogo da intriga, da inveja e da incapacidade, entre nós se deu a alcunha de politicagem. Esta palavra não traduz ainda todo o desprezo do objeto significado. Não há dúvida de que rima bem com criadagem e parolagem, afilhadagem e ladroagem. Mas não tem o mesmo vigor de expressão que os seus consoantes. Quem lhe dará o batismo adequado? Politiquice? Politiquismo? Politicaria? Politicalha? Neste último, sim, o sufixo pejorativo queima como ferrete, e desperta ao ouvido uma consonância elucidativa.
Política e politicalha não se confundem, não se parecem, não se relacionam uma com a outra. Antes se negam, se excluem, se repulsam mutuamente.A política é a arte de gerir o Estado, segundo princípios definidos, regras morais, leis escritas, ou tradições respeitáveis.
A politicalha é a indústria de explorar o benefício de interesses pessoais. Constitui a política uma função, ou um conjunto de funções do organismo nacional: é o exercício normal das forças de uma nação consciente e senhora de si. A politicalha, pelo contrário, é o envenenamento crônico dos povos negligentes e viciosos pela contaminação de parasitas inexoráveis. A política é a higiene dos países moralmente sadios. A politicalha, a malária dos povos de moralidade estragada.
Trechos escolhidos de Rui Barbosa.Edições de Ouro: Rio de Janeiro, 1964.
24 de fev. de 2014
Cãomicio no calçadão
Cãomício no Calçadão
Reunidos no calçadão
central da Avenida Atlântica, entre as Ruas Souza Aguiar e Sá Ferreira, dezenas
de cães participaram sábado à tarde de um comício autorizado, em princípio,
pela Administração Regional de Copacabana. Eram cachorros das mais variadas raças
e dos mais diferentes tamanhos, desde Pastores Alemães até miniaturas Pintcher.
Junto ao meio-fio, no local da concentração, um carro-choque do Batalhão de
Gatos, armados de unhas e dentes, garantia a ordem.
O primeiro a subir ao
tablado, que era um engradado de refrigerantes emborcado, foi um Poodle
branquinho, de rabinho cotó
- Nossos donos são
irresponsáveis! - gritou ele
- Abaixo os donos
irresponsáveis! - respondeu a multidão raivosa (embora toda ela vacinada)
- Todo poder aos
cachorros! - prosseguiu veemente o Poodle branco, cujo focinho lembrava
vagamente o de Jane Fonda, e que era tido, entre o Posto 6 e o Posto 4, como o
líder inconteste do Dog-Power.
Em seguida pediu a
palavra um Weimaraner azulado, de olhos tristes. Do alto do caixote, falou ponderadamente:
- Meus modos if...
if... (estava chorando o coitado)... Meus modos refletem o do meu dono... Não
quero mais passar vergonha sujando a calçada!
- Nós também não! -
responderam em uníssono os manifestantes caninos. Lá do meio do povo, alguém latiu
com voz de Pointer:
- Nossos donos
precisam aprender que lugar de cachorro fazer suas "coisas" é em
casa!
- Bravo! Apoiado! -
concordou a cãonalhada.
- Pipi-dog! Queremos
pipi-dog! - Puseram-se a ladrar as cadelinhas Basser, cinco ou seis,
provavelmente da mesma ninhada. - Somos moças de família, e portanto temos
direito a um lugar no apartamento, onde possamos fazer a nossa toalete em que
os intrusos invadam a nossa privacidade"
- Muito bem! Falou!
Podem crer! - entoaram em coro os cinco Dobermans que moram no Edifício Chopin,
um dos mais luxuosos de Copacabana, e que fazem pipi - vejam só a heresia! - na
piscina do Copacabana Palace, que fica ali ao lado.
Agora, estava no
tablado um musculoso Boxer, com sua cara abobalhada e seu tradicional bom
coração.
- Senhoras e senhores
- disse ele - sejamos objetivos. Desejo colocar em votação uma proposta
simples, de três pontos, a qual, se aprovada, será encaminhada aos nossos
donos, em forma de abaixo-assinado. Primeiro ponto:
- "Quero meu
pipi-dog no apartamento"
- Apoiado! - gritou a
assembléia
Segundo ponto: ...
Mas, antes, para evitar tumulto, prefiro que os distintos companheiros, em vez
de latirem, ladrarem, rosnarem e coisa e tal, balancem o rabo em sinal de
aprovação. Aqueles que não mais possuem rabo poderiam uivar, mais docemente,
pois uma de nossas preocupações principais há de ser a de não agravar a
poluição sonora, de maneira a não indispor a opinião publica contra a nossa
causa...
Todos balançaram o
rabo, em silêncio. A questão do orador fora aceita. Ele então prosseguiu:
- Segundo ponto: -
"Queremos fazer nosso cooper canino apenas no calçadão central da Avenida
Atlântica..."
Rabinhos balançaram
para lá e para cá: aprovado.
- Terceiro ponto:
"É preferível que não nos levem à praia, onde involuntariamente causamos
uma porção de doenças!"
Rabinhos alegres: de
acordo.
- Desta forma -
finalizou o Boxer - poderemos afirmar que somos felizardos e que temos donos
educados!
- Nosso dono vai ser
superlegal! - exclamou a assembléia, esquecendo a recomendação de só balançar o
rabo.
Nessa altura, todos
ali estavam com vontade de fazer cocô e pipi. Sendo assim, o Poodle branco
decidiu dar por encerrada a reunião, recomendando que os manifestantes se
dispersassem em ordem.
Mas nesse instante
pulou no caixote um autêntico Vira-Lata, magrinho, de olhos famintos, as
costelas aparecendo sob o pelo ralo, o rabo entre as pernas.
- Irmãos! - bradou
ele, ou melhor, essa palavra num gemido - Irmãos! Todos somos irmãos! Todos os
cachorros são iguais! Portanto, o verdadeiro problema não está no pipi-dog
doméstico nem no pinicão de apartamento. O necessário é que todos nós, os de
pedigrees e os da rua, os de raça e os vira-latas, tenhamos, todos. direito aos
cuidados veterinários periódicos, à vacinação gratuita, à alimentação farta e
balanceada, à coleira protetora com sua placa de identificação, aos banhos
seguidos de talcos contra pulgas.. Viva pois a revolução! Todo o poder aos
cachorros, sem distinção de raça, cor ou credo!
-Uh! Fora! - gritaram
os cães de luxo, que pertencem todos, naturalmente, à Direita, e preferem que
as coisas continuem como estão, no plano da justiça social. - Fora! Sarnento!
Babão! Comedor de restos! Ralé!
A multidão de sócios
do Kennel Club avançou na direção do anarquista, rosnando ameaçadoramente. Foi
preciso que os gatos salvassem o Vira-Lata do linchamento inevitável, para o
que o cercaram, dispersando a cachorrada com bomba de gás lacrimogêneo.
Em seguida, o
Batalhão de Gatos levou o Vira-Lata para o lugar adequado a essa espécie
agitador. Ele agora está sendo processado e é capaz de passar o resto da vida
num canil-presídio. Acusação: trata-se de um CÃOMUNISTA.
ROUBOCOPA
Estreou esta semana o filme Roubocopa,
de José Padilha, o diretor de Troca de Elite 1 e da pornochanchada
policial Troca Troca de Elite 2. Roubocopa é um remake e todo mundo já
sabe como o filme acaba: ninguém vai preso! Misturando ação e corrupção,
Roubocopa conta a história de um robô cibernético que é criado para
substituir os políticos ineficientes que não sabem roubar direito e
acabam sendo presos ou denunciados pela imprensa golpista.
A megalomaníaca produção da Odebrecht
Goldwin Mayer custou mais de 200 bilhões de dólares, a maioria desviados
da construção dos estádios da Copa no Brasil. A crítica ficou dividida
mas, depois que o Roubocopa molhou a mão dos que não gostaram, os
elogios foram unânimes.
Apesar de não ter assistido o filme
(para não deixar influenciar a minha crítica isenta e imparcial), agora
vou fazer um spoiler para sacanear os meus 17 seguidores e meio (não
esqueçam que o Nelson Ned morreu mas continua vivo no meu coração).
Roubocopa conta a história do Capitão Nascimento que, depois de ser
metralhado pelas milícias, deu entrada num hospital do SUS. Ao
examinarem o corpo do herói cravejado de balas, a junta médica
rapidamente deu o diagnóstico:
- Ih, deu ruim!
O pobre Capitão Nascimento estava mais
morto do que a oposição brasileira e o meu bilau. Mas graças aos avanços
da Medicina (principalmente em direção ao bolso dos pacientes), o
heróico militar foi salvo. Mas os médicos foram cautelosos e avisaram à
família:
- Do jeito que tá, ser humano não dá pra ele ser mais… o máximo que a gente consegue é transformar ele num político.
O final da história todo mundo já sabe:
Roubocopa se transformou numa máquina de roubar: se mudou para Brasília,
se elegeu deputado da base aliada, casou com uma piranha que trabalha
no Ministério da Pesca e os dois foram felizes para sempre!
9 de fev. de 2013
"CULUS EBRII NON HABET DOMINUM".
Com o aproximamento do maior evento
esbaldeativo-etílico-festejatório-popular-esculhambático do Brasil, o famigerado
carnaval, eu até poderia - no intuito de incentivar o bom funcionamento
embriagativo e o melhor proceder álcool-encharcatório do folião contemporâneo -,
vir a tecer aqui neste recanto bloguento, todo um modus operandi, através do
qual o cachacista carnavalesco viesse a se espelhar e, assim, atuar dentro dos
mais modernos preceitos biritistas que, em momices passadas, já pus em prática e
me dei bem - Pelo menos, no tocante à integridade física do setor inferior
traseiro da minha pessoa, mais precisamente o terminal do tubo
digestivo.
Porém, como sei que neste quesito, todos vocês, meus pinguncistas leitores, têm quase tanta tarimba quanto este locutor que vos tecla, não vou ficar desfiando loas aconselhativas. Deixo somente grafado - Em caixa alta, para melhor fixação -, o lema internacional que todo e qualquer cidadão, em processo etilítico, precisa levar em consideração, para melhor passar quando a lombra lhe obnubilar o pensamento e dificultar os movimentos. Lema este que rola desde Roma antiga e, segundo dizem, foi cunhado pelo próprio deus Baco, em pessoa: "CULUS EBRII NON HABET DOMINUM".
E faço mais, traduzo-o para o português "Cu de bêbado não tem dono", para o inglês "A drunkard's ass is nobody's possession", e para o tupi "Sawe'yporà rewikiwarà n'i jarì"; para o melhor entendimento de vosmicês, que não manjam muito, ou nada, da língua de Sêneca e Agripina - outra que bebia até o fiofó fazer bico, conforme me relatou o catedrático Zé Maria Crocodilo.
Porém, como sei que neste quesito, todos vocês, meus pinguncistas leitores, têm quase tanta tarimba quanto este locutor que vos tecla, não vou ficar desfiando loas aconselhativas. Deixo somente grafado - Em caixa alta, para melhor fixação -, o lema internacional que todo e qualquer cidadão, em processo etilítico, precisa levar em consideração, para melhor passar quando a lombra lhe obnubilar o pensamento e dificultar os movimentos. Lema este que rola desde Roma antiga e, segundo dizem, foi cunhado pelo próprio deus Baco, em pessoa: "CULUS EBRII NON HABET DOMINUM".
E faço mais, traduzo-o para o português "Cu de bêbado não tem dono", para o inglês "A drunkard's ass is nobody's possession", e para o tupi "Sawe'yporà rewikiwarà n'i jarì"; para o melhor entendimento de vosmicês, que não manjam muito, ou nada, da língua de Sêneca e Agripina - outra que bebia até o fiofó fazer bico, conforme me relatou o catedrático Zé Maria Crocodilo.
22 de dez. de 2012
O Idiota e a moeda
Conta-se que numa cidade do interior um grupo de pessoas se divertia com o idiota da aldeia. Um pobre coitado, de pouca inteligência, vivia de pequenos biscates e esmolas.
Diariamente eles chamavam o idiota ao bar onde se reuniam e ofereciam a ele a escolha entre duas moedas: uma grande de 400 RÉIS e outra menor de 2.000 RÉIS. Ele sempre escolhia a maior e menos valiosa, o que era motivo de risos para todos.
Certo dia, um dos membros do grupo chamou-o e lhe perguntou se ainda não havia percebido que a moeda maior valia menos.
- Eu sei, respondeu o tolo. "Ela vale cinco vezes menos, mas no dia que eu escolher a outra, a brincadeira acaba e não vou mais ganhar minha moeda”.
Podem-se tirar várias conclusões dessa pequena narrativa.
A primeira: Quem parece idiota, nem sempre é.
A segunda: Quais eram os verdadeiros idiotas da história?
A terceira: Se você for ganancioso, acaba estragando sua fonte de renda.
Mas a conclusão mais interessante é: A percepção de que podemos estar bem, mesmo quando os outros não têm uma boa opinião a nosso respeito.
Portanto, o que importa não é o que pensam de nós, mas sim, quem realmente somos.
O maior prazer de um homem inteligente é bancar o idiota diante de um idiota que banca o inteligente.
Preocupe-se mais com sua consciência do que com sua reputação. Porque sua consciência é o que você é, e sua reputação é o que os outros pensam de você. E o que os outros pensam... é problema deles.
SÃO PAULO NÃO PODE PARAR! SE PARAR LEVA UM TIRO!
Ao contrário da minha vida sexual, o pau está comendo! A violência, a barbárie, as chacinas e as estatísticas de homicídio crescem assustadoramente trazendo alegria e prosperidade para os papa defuntos e fabricantes de caixão. Pelo andar da carruagem, quer dizer, do rabecão, não vai faltar presunto na mesa do brasileiro neste fim de ano.
São Paulo, por exemplo, se transformou na nossa Faixa de Gaza. Os paulistanos já estão até sendo chamados de paulestinos. O clima é de guerra e todo mundo está pensando em fugir da cidade menos o Maluf que não pode sair de São Paulo senão vai em cana. O governador Geraldo Takalmin, em entrevista coletiva exclusiva a minha pessoa, me garantiu que a violência está sob controle. Sob controle da bandidagem. Segundo os críticos de homicídio da Folha de São Paulo, a culpa é da organização criminosa PCC (Palmeirenses Contrariados com a Classificação) que não aceitam ter caído pra Segunda Divisão e agora querem quebrar tudo.
Só uma figura pode acabar com a violência no país. Um super herói de capa e mascarado, o magistrado Joaquim Barbosão, o Juiz Morcego. No seu histórico discurso de posse, o herói togado prometeu acabar com o preconceito e prender todos os bandidos que aterrorizem a população, a começar pelo Coringa, o Charada, o Pinguim, o Rei Tut e o Maluf. O Brasil está mudando e ainda bem que não é pra Argentina... Antes de Joaquim Barbosafro, os negros só entravam no STF pra serem condenados ou fazerem a faxina.
São Paulo, por exemplo, se transformou na nossa Faixa de Gaza. Os paulistanos já estão até sendo chamados de paulestinos. O clima é de guerra e todo mundo está pensando em fugir da cidade menos o Maluf que não pode sair de São Paulo senão vai em cana. O governador Geraldo Takalmin, em entrevista coletiva exclusiva a minha pessoa, me garantiu que a violência está sob controle. Sob controle da bandidagem. Segundo os críticos de homicídio da Folha de São Paulo, a culpa é da organização criminosa PCC (Palmeirenses Contrariados com a Classificação) que não aceitam ter caído pra Segunda Divisão e agora querem quebrar tudo.
Para resolver o problema da violência, o prefeito Gilberto Kemssabe teve uma idéia genial: mandou mudar o nome dos bairros da cidades. O Morumbi vai virar Morimbundo, O tradicional bairro do Bom Retiro vai virar Bom Tiro. A região dos Jardins vai ser unificada e virar uma grande necróple: os Jardins da Saudade. Cambuci vai mudar de nome pra Cambucídio. A Vila Madalena vai passar a ser Vila Matalena e Perdizes agora vai se chamar Balas Perdizes.Aclimação vai vira Acremação. E o tradicional bairro oriental Liberdade vai se virar Condicional. Injuriado com o descaso das autoridades, o finado e saudoso governador Mario Covas, neste momento, deve estar se revirando no seu sobrenome.
Eu não estranho o aumento da violência em São Paulo. Tudo em São Paulo é maior e o paulista não deixa por menos e gosta de ostentar. São Paulo é o estado mais rico da Federação, disparado. Disparado pelo PCC e pela ROTA. São Paulo tem a maior economia e os melhores restaurantes, só não tem mais a melhor pizza do país. A melhor pizza do Brasil, atualmente, sem dúvida nenhuma, é a da CPI do Cachoeira. Só uma figura pode acabar com a violência no país. Um super herói de capa e mascarado, o magistrado Joaquim Barbosão, o Juiz Morcego. No seu histórico discurso de posse, o herói togado prometeu acabar com o preconceito e prender todos os bandidos que aterrorizem a população, a começar pelo Coringa, o Charada, o Pinguim, o Rei Tut e o Maluf. O Brasil está mudando e ainda bem que não é pra Argentina... Antes de Joaquim Barbosafro, os negros só entravam no STF pra serem condenados ou fazerem a faxina.
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