11 de set. de 2014

Ereções 2014


pau só não está comendo na disputa presidencial porque quem está na frente das pesquisas são duas mulheres. Quer dizer, tecnicamente mulheres. Quem já viu (me incluam fora dessa!), garante que tanto D.ilma quanto M.arina são portadoras do sexo feminino. Pelas pesquisas do Datatrolha e do IBofe, não vai ter mais debate de candidatos, só luta de candidatas na lama. Para aumentar a audiência da novela presidencial (que já está precisando de uma boa virada), as duas candidatas vão protagonizar uma autêntica briga de mulheres, com direito a puxão de cabelo, unhadas e chutes no saco (do eleitor).

A baixaria já está correndo solta nas campanhas! Dil.ma acusa Ma.r.ina da Selva de ser igual ao Collor. Na verdade, a candidata do PSB se parece mais com o ET do Spielberg. Por sua vez, Marina não deixou o insulto barato e disse que a Dilma, na verdade, é o cartunista transformista Laerte fantasiado de homem. Mas as grandes diferenças estão mesmo nos programas de governo das duas candidatas. Marina da Selva, evangélica, é totalmente contra a legalização da maconha no casamento gay e também se posicionou contra o aborto de células-tronco. Dilma, por sua vez, promete que se for reeleita vai aprovar uma lei proibindo o preconceito e a homofobia contra a soja transgênica.
Segundo as mais recentes pesquisas, Marina tem a maioria dos votos evangélicos e boa parte dos ex-votos dos católicos. Já a candidata búlgaro-brasileira Dilma Roskoff é a favorita do eleitor umbandista. Dilma só se veste de vermelho e quando está no Planalto, dizem, incorpora o Exu Caveira todas as sextas-feiras. Dilma também está na frente no Nordeste graças ao Bolso-Família, que tem mais de 5 milhões de famílias no bolso, e ao programa assistencialista Meu Primeiro Rango.
Já o candidato do P.SD-B (Partido Só de Bundões), avisou pra todo mundo que agora é tudo ou naba! Inércio Neves, desesperado, prometeu também combater o desemprego, principalmente o seu próprio, que deverá acontecer em breve. Para atenuar as lancinantes dores que vai sofrer, José Serrote ofereceu ao candidato mineiro vários remédios que ele criou no Ministério da Saúde, como o nocusolato de gebatomina e o furiculato de vergamicina, anti-inflamatórios genéricos que aliviam as dores na urna. Aécio Never considerou sua campanha, até aqui, muito boa. Se durasse mais quatros anos, ele certamente ia acabar empatando com a Marina. Mas o P.SD-B pode ficar tranquilo: mesmo que a Dilma seja reeleita, o Brasil vai acabar entrando pelo tucano.

9 de jul. de 2014

A seleção brasileira levou salsichão no xucrute

Eu nunca vi cabeça de bacalhau, disco voador, enterro de anão, ex-gay, fantasma, alma penada, político honesto , Roberto Carlos de bermuda , Genro com retrato de sogra na carteira, Mick Jagger dar sorte…
E nunca vi a seleção brasileira tomar uma piaba tão grande. E numa semifinal de Copa do Mundo! E em casa!
Parece que o time se solidarizou com Neymar e também não entrou em campo.
O Felipão escondeu a escalação até o último minuto. Não foi por estratégia. É que ele não sabia que time escalar. Não sabe até agora.
E deu no que deu, tomamos os cinco gols mais rápidos da história das Copas. Ninguém podia ir ao banheiro , porque quando voltava a Alemanha já tinha feito mais um gol.
No intervalo eu só esperava uma propaganda. Desta vez eu era o protagonista e falava:
- Eu tenho 41 anos e nunca vi a seleção jogar tão mal. joga bem pra mim, Brasil!
E veio a dúvida: ver o segundo tempo ou… sei lá, jogar cartas?
Na internet um sujeito mandou uma boa: bota no Discovery Channel, está passando um documentário sobre a segunda guerra, lá a Alemanha está perdendo.
Mas resolvi ver o segundo tempo, nem sei por quê.
O segundo tempo começou e tudo continuou parecido. A única saída para o Brasil não tomar mais gols era a população sair as ruas e começar uma movimento cívico: Não vai ter Copa! Mas tinha que ser rápido, muito rápido , antes que a Alemanha fizesse mais gols.
Mas não deu tempo. Quando a Alemanha fez 6 x 0, eu achei que havia terminado o primeiro set. Pneu. Desisti, resolvi não assistir ao segundo set.
Vamos falar sério: mesmo com a Copa em casa, essa seleção já tinha ido muito longe.
Foi isso. Um horror. Um mico. Um vexame. A família desestruturada do Felipão acabou. Chama a psicóloga!

14 de jun. de 2014

Teve Copa. E teve relincho

Teve Copa. E teve relincho

O brasileiro médio saiu do armário. Na abertura do maior evento da história do País, teve a chance de mostrar em rede mundial sua maior virtude e não decepcionou: sabendo que seria visto e ouvido, fez exatamente o que faz em seu sofá diante da tevê e sem o menor pudor: relinchou. E relinchou alto, como quem enfia o sorvete na testa.
Não, não me refiro às vaias contra a presidenta Dilma Rousseff, talvez o maior termômetro do esgotamento de um modelo de gestão incapaz de propor soluções novas para velhos problemas. Me refiro aos xingamentos intercalados entre gritos de brasileiros com muito orgulho e muito amor. Confortáveis nas cadeiras padrão-Fifa, bem vestidos e bem almoçados, os representantes da brasilidade média não hesitaram em mandar em coro um “Ei, Dilma, vai tomar no cu”. O alvo do azedume, vale lembrar, era simplesmente a maior autoridade do País. E a autoridade, quando dá a cara ao tapa, como fez, não está imune a críticas ou vaias, merecidas ou não. (Até as cadeiras montadas em cima da hora na Arena Corinthians sabiam dos riscos da hostilidade. Os riscos, portanto, foram calculados). Mas, ao ser xingada, Dilma não se tornou apenas alvo de uma insatisfação. Tornou-se alvo da ignorância, do desrespeito e da arrogância.
Ignorância porque, se você perguntar aos probos embandeirados os motivos da bronca, duvido que soubessem responder além das quatro linhas do campo: “roubalheira”, “corrupção”, “vai para Cuba”, “metrô”, “legado”, “tem que sentar o cacete”, “impostos”.  É a reação do cidadão Teletubbie, já descrito neste espaço: o cidadão que associa signos e produz emoções a partir de cores, bandeiras e frases feitas, mas é incapaz de ligar os pontos e elaborar qualquer relação entre alhos e bugalhos. Por isso, quando estimulados por uma imagem no telão (o poder?) relincham. Pudera: aprenderam em casa e nas escolas de ponta que xingar político era exercício de cidadania, ainda que reclamem por acordar cedo no domingo para votar a cada dois anos.
O xingamento é o descarte da associação honesta entre os pontos, entre eles o fato de que essa Copa não é dessa presidenta. Estava definida cerca de quatro anos antes de ela tomar posse e acordar com um Mundial inacabado no seu colo. Foi, talvez, a pior pegadinha deixada pelo seu padrinho e antecessor, este sim um entusiasta da ideia – assim como todos os governadores e prefeitos que saíram no tapa para ter em seu quintal uma Copa para chamar de sua. Mas autômato não vê fato nem vê argumento: apenas xinga quando sensibilizado, principalmente quando se sente confortável ao lado de tantos autômatos. (Não deixa de ser curioso: no tete-a-tete e em reuniões do condomínio, o rebelde de arquibancada chama bandido de doutor). O lapso entre os pontos chega ao absurdo de associar a crise do metrô à esfera federal, e não a uma quadrilha que transformou, nos últimos 20 anos, o sistema se transporte público de São Paulo em pula-pula de quermesse, com direito a cartel, propina, chefe de tribunal de contas enchendo as burras e secretário de primeiro escalão fingindo que o assunto não é com ele.
Mas a arrogância escancarada é filha da ignorância: a ignorância de quem vive em um país imaginário cujas mazelas são exteriores a ele, seu corpo e seus amigos e familiares. De corpo imune em corpo imune, criamos um país sentado no sofá (ou na arquibancada) à espera de milagres de tudo o que vem de fora. Por isso malha o professor, o porteiro, o policial e o político que ele despreza.
São os eternos rebeldes contentes. Os descontentes, fora do estádio, não deixaram por menos: quem propunha o boicote ao Mundial escancarava, sem querer, tudo o que sabia sobre a população mais surrada do País (nada) ao impor o que era bom para a tosse: desligar a tevê ou torcer para a Croácia. É uma atitude sintomática: o detentor da luz e da consciência vai até a comunidade dizer o que o morador da comunidade deve fazer para não ser um autômato. “Se o Brasil ganha, ganha a propaganda nacionalista. Mas eu acho que o Brasil vai ganhar porque a Copa está comprada. A reeleição da Dilma está no pé do Neymar”, disse à Folha de S.Paulo, durante o jogo, uma atriz de 26 anos que teve a bondade de sair de casa para catequizar os nativos.
Curiosa essa forma de conscientização: é mais ou menos como fazíamos no computador ao guiar os lemmings, aqueles bichinhos que não sabiam o que queriam nem para onde iam e dependiam da mão destra do jogador para não cair em abismos nem bater a cabeça na parede. Não, minha cara. A alienação que você jura combater não é resultado de propaganda nem do futebol. E, sim, é possível ser consciente e se rebelar com o que deve ser questionado antes, durante e depois de 90 minutos de jogo. Para quem levanta cedo no dia seguinte às partidas, a vida segue, talvez com mais cor, talvez com menos disposição. Mas segue. Seria melhor se seguisse sem levar nas costas as botas de uma velha pedagogia: a pedagogia do subestimado, a mesma que espalha relincho quando confunde indignação com arrogância. O autômato, pode acreditar, está do lado oposto do seu espelho

25 de fev. de 2014

Política e politicalha

A política afina o espírito humano, educa os povos, desenvolve nos indivíduos a atividade, a coragem, a nobreza, a previsão, a energia, cria, apura, eleva o merecimento.
Não é esse jogo da intriga, da inveja e da incapacidade, entre nós se deu a alcunha de politicagem. Esta palavra não traduz ainda todo o desprezo do objeto significado. Não há dúvida de que rima bem com criadagem e parolagem, afilhadagem e ladroagem. Mas não tem o mesmo vigor de expressão que os seus consoantes. Quem lhe dará o batismo adequado? Politiquice? Politiquismo? Politicaria? Politicalha? Neste último, sim, o sufixo pejorativo queima como ferrete, e desperta ao ouvido uma consonância elucidativa.
Política e politicalha não se confundem, não se parecem, não se relacionam uma com a outra. Antes se negam, se excluem, se repulsam mutuamente.A política é a arte de gerir o Estado, segundo princípios definidos, regras morais, leis escritas, ou tradições respeitáveis.
A politicalha é a indústria de explorar o benefício de interesses pessoais. Constitui a política uma função, ou um conjunto de funções do organismo nacional: é o exercício normal das forças de uma nação consciente e senhora de si. A politicalha, pelo contrário, é o envenenamento crônico dos povos negligentes e viciosos pela contaminação de parasitas inexoráveis. A política é a higiene dos países moralmente sadios. A politicalha, a malária dos povos de moralidade estragada.


Trechos escolhidos de Rui Barbosa.Edições de Ouro: Rio de Janeiro, 1964.

24 de fev. de 2014

Cãomicio no calçadão

 Cãomício no Calçadão 
Reunidos no calçadão central da Avenida Atlântica, entre as Ruas Souza Aguiar e Sá Ferreira, dezenas de cães participaram sábado à tarde de um comício autorizado, em princípio, pela Administração Regional de Copacabana. Eram cachorros das mais variadas raças e dos mais diferentes tamanhos, desde Pastores Alemães até miniaturas Pintcher. Junto ao meio-fio, no local da concentração, um carro-choque do Batalhão de Gatos, armados de unhas e dentes, garantia a ordem.
O primeiro a subir ao tablado, que era um engradado de refrigerantes emborcado, foi um Poodle branquinho, de rabinho cotó
- Nossos donos são irresponsáveis! - gritou ele
- Abaixo os donos irresponsáveis! - respondeu a multidão raivosa (embora toda ela vacinada)
- Todo poder aos cachorros! - prosseguiu veemente o Poodle branco, cujo focinho lembrava vagamente o de Jane Fonda, e que era tido, entre o Posto 6 e o Posto 4, como o líder inconteste do Dog-Power.
Em seguida pediu a palavra um Weimaraner azulado, de olhos tristes. Do alto do caixote, falou ponderadamente:
- Meus modos if... if... (estava chorando o coitado)... Meus modos refletem o do meu dono... Não quero mais passar vergonha sujando a calçada!
- Nós também não! - responderam em uníssono os manifestantes caninos. Lá do meio do povo, alguém latiu com voz de Pointer:
- Nossos donos precisam aprender que lugar de cachorro fazer suas "coisas" é em casa!
- Bravo! Apoiado! - concordou a cãonalhada.
- Pipi-dog! Queremos pipi-dog! - Puseram-se a ladrar as cadelinhas Basser, cinco ou seis, provavelmente da mesma ninhada. - Somos moças de família, e portanto temos direito a um lugar no apartamento, onde possamos fazer a nossa toalete em que os intrusos invadam a nossa  privacidade"
- Muito bem! Falou! Podem crer! - entoaram em coro os cinco Dobermans que moram no Edifício Chopin, um dos mais luxuosos de Copacabana, e que fazem pipi - vejam só a heresia! - na piscina do Copacabana Palace, que fica ali ao lado.
Agora, estava no tablado um musculoso Boxer, com sua cara abobalhada e seu tradicional bom coração.
- Senhoras e senhores - disse ele - sejamos objetivos. Desejo colocar em votação uma proposta simples, de três pontos, a qual, se aprovada, será encaminhada aos nossos donos, em forma de abaixo-assinado. Primeiro ponto:
- "Quero meu pipi-dog no apartamento"
- Apoiado! - gritou a assembléia
Segundo ponto: ... Mas, antes, para evitar tumulto, prefiro que os distintos companheiros, em vez de latirem, ladrarem, rosnarem e coisa e tal, balancem o rabo em sinal de aprovação. Aqueles que não mais possuem rabo poderiam uivar, mais docemente, pois uma de nossas preocupações principais há de ser a de não agravar a poluição sonora, de maneira a não indispor a opinião publica contra a nossa causa...
Todos balançaram o rabo, em silêncio. A questão do orador fora aceita. Ele então prosseguiu:
- Segundo ponto: - "Queremos fazer nosso cooper canino apenas no calçadão central da Avenida Atlântica..."
Rabinhos balançaram para lá e para cá: aprovado.
- Terceiro ponto: "É preferível que não nos levem à praia, onde involuntariamente causamos uma porção de doenças!"
Rabinhos alegres: de acordo.
- Desta forma - finalizou o Boxer - poderemos afirmar que somos felizardos e que temos donos educados!
- Nosso dono vai ser superlegal! - exclamou a assembléia, esquecendo a recomendação de só balançar o rabo.
Nessa altura, todos ali estavam com vontade de fazer cocô e pipi. Sendo assim, o Poodle branco decidiu dar por encerrada a reunião, recomendando que os manifestantes se dispersassem em ordem.
Mas nesse instante pulou no caixote um autêntico Vira-Lata, magrinho, de olhos famintos, as costelas aparecendo sob o pelo ralo, o rabo entre as pernas.
- Irmãos! - bradou ele, ou melhor, essa palavra num gemido - Irmãos! Todos somos irmãos! Todos os cachorros são iguais! Portanto, o verdadeiro problema não está no pipi-dog doméstico nem no pinicão de apartamento. O necessário é que todos nós, os de pedigrees e os da rua, os de raça e os vira-latas, tenhamos, todos. direito aos cuidados veterinários periódicos, à vacinação gratuita, à alimentação farta e balanceada, à coleira protetora com sua placa de identificação, aos banhos seguidos de talcos contra pulgas.. Viva pois a revolução! Todo o poder aos cachorros, sem distinção de raça, cor ou credo!
-Uh! Fora! - gritaram os cães de luxo, que pertencem todos, naturalmente, à Direita, e preferem que as coisas continuem como estão, no plano da justiça social. - Fora! Sarnento! Babão! Comedor de restos! Ralé!
A multidão de sócios do Kennel Club avançou na direção do anarquista, rosnando ameaçadoramente. Foi preciso que os gatos salvassem o Vira-Lata do linchamento inevitável, para o que o cercaram, dispersando a cachorrada com bomba de gás lacrimogêneo.


Em seguida, o Batalhão de Gatos levou o Vira-Lata para o lugar adequado a essa espécie agitador. Ele agora está sendo processado e é capaz de passar o resto da vida num canil-presídio. Acusação: trata-se de um CÃOMUNISTA.
 ROUBOCOPA

Estreou esta semana o filme Roubocopa, de José Padilha, o diretor de Troca de Elite 1 e da pornochanchada policial Troca Troca de Elite 2. Roubocopa é um remake e todo mundo já sabe como o filme acaba: ninguém vai preso! Misturando ação e corrupção, Roubocopa conta a história de um robô cibernético que é criado para substituir os políticos ineficientes que não sabem roubar direito e acabam sendo presos ou denunciados pela imprensa golpista.
A megalomaníaca produção da Odebrecht Goldwin Mayer custou mais de 200 bilhões de dólares, a maioria desviados da construção dos estádios da Copa no Brasil. A crítica ficou dividida mas, depois que o Roubocopa molhou a mão dos que não gostaram, os elogios foram unânimes.
Apesar de não ter assistido o filme (para não deixar influenciar a minha crítica isenta e imparcial), agora vou fazer um spoiler para sacanear os meus 17 seguidores e meio (não esqueçam que o Nelson Ned morreu mas continua vivo no meu coração). Roubocopa conta a história do Capitão Nascimento que, depois de ser metralhado pelas milícias, deu entrada num hospital do SUS. Ao examinarem o corpo do herói cravejado de balas, a junta médica rapidamente deu o diagnóstico:
- Ih, deu ruim!
O pobre Capitão Nascimento estava mais morto do que a oposição brasileira e o meu bilau. Mas graças aos avanços da Medicina (principalmente em direção ao bolso dos pacientes), o heróico militar foi salvo. Mas os médicos foram cautelosos e avisaram à família:
- Do jeito que tá, ser humano não dá pra ele ser mais… o máximo que a gente consegue é transformar ele num político.
O final da história todo mundo já sabe: Roubocopa se transformou numa máquina de roubar: se mudou para Brasília, se elegeu deputado da base aliada, casou com uma piranha que trabalha no Ministério da Pesca e os dois foram felizes para sempre!

9 de fev. de 2013

"CULUS EBRII NON HABET DOMINUM".

Com o aproximamento do maior evento esbaldeativo-etílico-festejatório-popular-esculhambático do Brasil, o famigerado carnaval, eu até poderia - no intuito de incentivar o bom funcionamento embriagativo e o melhor proceder álcool-encharcatório do folião contemporâneo -, vir a tecer aqui neste recanto bloguento, todo um modus operandi, através do qual o cachacista carnavalesco viesse a se espelhar e, assim, atuar dentro dos mais modernos preceitos biritistas que, em momices passadas, já pus em prática e me dei bem - Pelo menos, no tocante à integridade física do setor inferior traseiro da minha pessoa, mais precisamente o terminal do tubo digestivo.
Porém, como sei que neste quesito, todos vocês, meus pinguncistas leitores, têm quase tanta tarimba quanto este locutor que vos tecla, não vou ficar desfiando loas aconselhativas. Deixo somente grafado - Em caixa alta, para melhor fixação -, o lema internacional que todo e qualquer cidadão, em processo etilítico, precisa levar em consideração, para melhor passar quando a lombra lhe obnubilar o pensamento e dificultar os movimentos. Lema este que rola desde Roma antiga e, segundo dizem, foi cunhado pelo próprio deus Baco, em pessoa: "CULUS EBRII NON HABET DOMINUM".
E faço mais, traduzo-o para o português "Cu de bêbado não tem dono", para o inglês "A drunkard's ass is nobody's possession", e para o tupi "Sawe'yporà rewikiwarà n'i jarì"; para o melhor entendimento de vosmicês, que não manjam muito, ou nada, da língua de Sêneca e Agripina - outra que bebia até o fiofó fazer bico, conforme me relatou o catedrático Zé Maria Crocodilo.

22 de dez. de 2012

O Idiota e a moeda

Conta-se que numa cidade do interior um grupo de pessoas se divertia com o idiota da aldeia. Um pobre coitado, de pouca inteligência, vivia de pequenos biscates e esmolas.
Diariamente eles chamavam o idiota ao bar onde se reuniam e ofereciam a ele a escolha entre duas moedas: uma grande de 400 RÉIS e outra menor de 2.000 RÉIS. Ele sempre escolhia a maior e menos valiosa, o que era motivo de risos para todos.
Certo dia, um dos membros do grupo chamou-o e lhe perguntou se ainda não havia percebido que a moeda maior valia menos.
- Eu sei, respondeu o tolo. "Ela vale cinco vezes menos, mas no dia que eu escolher a outra, a brincadeira acaba e não vou mais ganhar minha moeda”.
Podem-se tirar várias conclusões dessa pequena narrativa.
A primeira: Quem parece idiota, nem sempre é.
A segunda: Quais eram os verdadeiros idiotas da história?
A terceira: Se você for ganancioso, acaba estragando sua fonte de renda.
Mas a conclusão mais interessante é: A percepção de que podemos estar bem, mesmo quando os outros não têm uma boa opinião a nosso respeito.
Portanto, o que importa não é o que pensam de nós, mas sim, quem realmente somos.
O maior prazer de um homem inteligente é bancar o idiota diante de um idiota que banca o inteligente.
Preocupe-se mais com sua consciência do que com sua reputação. Porque sua consciência é o que você é, e sua reputação é o que os outros pensam de você. E o que os outros pensam... é problema deles.

SÃO PAULO NÃO PODE PARAR! SE PARAR LEVA UM TIRO!

Ao contrário da minha vida sexual, o pau está comendo! A violência, a barbárie, as chacinas e as estatísticas de homicídio crescem assustadoramente trazendo alegria e prosperidade para os papa defuntos e fabricantes de caixão. Pelo andar da carruagem, quer dizer, do rabecão, não vai faltar presunto na mesa do brasileiro neste fim de ano.
São Paulo, por exemplo, se transformou na nossa Faixa de Gaza. Os paulistanos já estão até sendo chamados de paulestinos. O clima é de guerra e todo mundo está pensando em fugir da cidade menos o Maluf que não pode sair de São Paulo senão vai em cana. O governador Geraldo Takalmin, em entrevista coletiva exclusiva a minha pessoa, me garantiu que a violência está sob controle. Sob controle da bandidagem. Segundo os críticos de homicídio da Folha de São Paulo, a culpa é da organização criminosa PCC (Palmeirenses Contrariados com a Classificação) que não aceitam ter caído pra Segunda Divisão e agora querem quebrar tudo.
Para resolver o problema da violência, o prefeito Gilberto Kemssabe teve uma idéia genial: mandou mudar o nome dos bairros da cidades. O Morumbi vai virar Morimbundo, O tradicional bairro do Bom Retiro vai virar Bom Tiro. A região dos Jardins vai ser unificada e virar uma grande necróple: os Jardins da Saudade. Cambuci vai mudar de nome pra Cambucídio. A Vila Madalena vai passar a ser Vila Matalena e Perdizes agora vai se chamar Balas Perdizes.Aclimação vai vira Acremação. E o tradicional bairro oriental Liberdade vai se virar Condicional. Injuriado com o descaso das autoridades, o finado e saudoso governador Mario Covas, neste momento, deve estar se revirando no seu sobrenome.
 Eu não estranho o aumento da violência em São Paulo. Tudo em São Paulo é maior e o paulista não deixa por menos e gosta de ostentar. São Paulo é o estado mais rico da Federação, disparado. Disparado pelo PCC e pela ROTA. São Paulo tem a maior economia e os melhores restaurantes, só não tem mais a melhor pizza do país. A melhor pizza do Brasil, atualmente, sem dúvida nenhuma, é a da CPI do Cachoeira.
Só uma figura pode acabar com a violência no país. Um super herói de capa e mascarado, o magistrado Joaquim Barbosão, o Juiz Morcego. No seu histórico discurso de posse, o herói togado prometeu acabar com o preconceito e prender todos os bandidos que aterrorizem a população, a começar pelo Coringa, o Charada, o Pinguim, o Rei Tut e o Maluf. O Brasil está mudando e ainda bem que não é pra Argentina... Antes de Joaquim Barbosafro, os negros só entravam no STF pra serem condenados ou fazerem a faxina.

NOVOS TIPOS BRASILEIROS

O Brasil está mudando e, felizmente, não é pra Argentina. Antigamente os livros escolares mostravam os tipos típicos brasileiros: o boiadeiro do sertão, o caboclo da Amazônia, o gaúcho da fronteira, a baiana do acarajé e tudo isso sem falar do mitológico seringueiro, figura solitária que passava a vida embrenhado no meio do mato tirando leite do pau.
Mas isso é coisa do passado que ficou pra outrora... hoje a cultura brasileira está representada por novos tipos regionais que substituíram estas antigas figuras obsoletas. Por exemplo, agora temos a Mocréia de Ministério, que habita o cerrado do Planalto Central e a presidência de estatais. Horríveis criaturas que amedrontam as crianças e os empresários pidões, a Mocréia de Ministério se caracteriza por seu mau humor e penteado permanente e passa o dia dando esporro nos seus subordinados por qualquer coisinha. Por incrível que pareça, as Mocréias de Ministério conseguem se reproduzir. Tem que ser muito macho para encarar essas criaturas que só pensam em Poder. Poder sem PH.
Outro tipo característico do “zeitgeist” brasileiro contemporâneo é a Periguete do PT. No século passado, nas animadas festinhas do partido, estas criaturas ainda davam um caldo e eram famosas por sua militância, hábeis nos piquetes e nos movimentos de boca de urna. Por serem contra o capitalismo, as Periguetes do PT socializavam seus meios de reprodução com as lideranças do partido. Mulheres de visão, as Periguetes do PT conquistaram a simpatia dos petistas que iriam comandar o país no futuro e acabaram abocanhando outras coisas como chefias de presidência, viagens internacionais e cargos em comichões.
Mais um tipo característico dos tempos atuais é o X-9 das Gerais que só mesmo Guimarães Prosa seria capaz de descrever num novo livro “Grande Sertão Mutretas”. Este novo tipo de mineiro, ao invés de procurar pepitas de ouro e extrair diamantes nos córregos, prefere garimpar em partidos políticos, agências de publicidade e verbas públicas. Tipo matreiro e desconfiado, o X-9, quando se vê acuado no mato sem cachorro, acaba entregando todo mundo, sempre usando a sua infinita sabedoria popular : “ Um dia é da caça, o outro é do delator. ”
Sem querer fazer juízo, atualmente só um novo tipo brasileiro está empolgando os brasileiros: o Juiz do Pastoreio. Figura mítica de origem sofrida até hoje sofre de dor nas costas. Destemido e justiceiro, o Juiz do Pastoreio é o terror dos senhores de partido e dos sanguinários capatazes corruptos. Muitos não acreditavam no Juiz do Pastoreio: achavam que ele era uma lenda, coisa da imaginário. Só não imaginavam que o Juiz do Pastoreio, com sua dosimetria avantajada, fosse meter mais de 20 anos de cadeia na galera do mensalão.

10 de mai. de 2012

Asteróide Vesta é promovido à categoria de 'quase planeta'


Protoplaneta nunca se desenvolveu por completo, diz artigo na Science


O gigantesco asteroide 4 Vesta é, na verdade, um planeta que nunca se desenvolveu por completo - um protoplaneta. Seis artigos diferentes discutem as novas descobertas na próxima edição da revista Science, que será publicada nesta sexta-feira. A análise ajuda a compreender como se formaram os planetas do Sistema Solar.



Ficha técnica

VESTA

Nome: 4 Vesta
Descoberto em: 29 de março de 1807
Circunferência: 525 quilômetros
Localização: Entre Marte e Júpiter
Dados: Vesta foi o quarto asteroide descoberto, por isso o número '4' em seu nome. É um dos maiores asteroides do Sistema Solar e compreende 9% da massa do cinturão de asteroides entre Marte e Júpiter. É também o asteroide mais brilhante visto da Terra.

O estudo mostra que o Vesta é mais parecido com um planeta do que com um asteroide. O astro de 525 quilômetros de diâmetro tem a segunda maior massa entre os asteroides do Sistema Solar e só perde para o planeta-anão Ceres, também considerado um asteroide. Ambos se encontram no cinturão de asteroides que existe entre Marte e Júpiter. Vesta seria considerado um planeta-anão se não ficasse localizado em um cinturão de asteroides e tivesse o 'caminho livre' como Plutão.

De acordo com o estudo, 4 Vesta se formou durante os primeiros milhões de anos do Sistema Solar. Os cientistas acreditam que ele surgiu a partir de um amontoado de gases e poeira que restaram após a formação do Sol, há mais de 4,5 bilhões de anos, contendo materiais radioativos. O calor adicional teria feito o asteroide derreter, formando um núcleo de ferro e uma crosta externa de lava. Possivelmente, o quase-planeta sustentou um campo magnético, como o da Terra.

Os pesquisadores basearam-se em dados capturados pela sonda Dawn, da Nasa, a agência espacial americana. Segundo os estudos, 4 Vesta é a fonte de um tipo específico de meteoritos, chamado HED, que de vez em quando atingem a Terra.
Missão — Depois de viajar por cerca de quatro anos e percorrer 2,8 bilhões de quilômetros, a sonda foi capturada pela gravidade do asteroide e entrou em sua órbita no dia 15 de julho de 2011. Desde então, os cientistas puderam observar Vesta de perto. Os astrônomos descobriram, por exemplo, que a superfície do corpo celeste tem mais variação de cores do que a maioria dos asteroides. Em 2015, a sonda Dawn deixará a órbita de Vesta e partirá para estudar Ceres.

25 de abr. de 2012

O SUICÍDIO DO TITANIC


Nesse mês, o mundo todo está comemorando o afundamento do Titanic, o transatlântico superfaturado que se chocou com um iceberg nas águas geladas do Atlântico Norte em 1912. Eu fui o único brasileiro que participou deste evento catástrofe internacional que agora será relançado em 3D.
Desde garoto, o meu maior sonho era fazer um cruzeiro marítimo numa superprodução de Hollywood! E assim, depois de ficar três anos sem almoçar nem jantar, consegui economizar dinheiro suficiente pra comprar uma passagem de figurante na terceira classe do Titanic. Segundo os engenheiros que o construíram, o Titanic era igual ao Brasil: os ricos ficavam por cima numa boa, os pobres ficavam espremidos lá embaixo e ninguém achava que aquela merda ia afundar.
Nunca se viu tanto luxo quanto na Primeira Classe do Titanic. As lagostas do bufê falavam três línguas e tinham doutorado em Cambridge. Os milionários mais ricos do mundo, os Astor, os Vanderbilt, os Guggeinhem, o Waltinho Moreira Salles, o Eike Batista e o Carlinhos Cachoeira, disputavam pra ver quem gastava mais dinheiro e comia mais mulheres (não necessariamente nesta ordem). Numa noite de bebedeiras alcoólicas, jogatina e uso indiscriminado de drogas estupefacientes, Cornelius Vanderbilt acendeu um Havana com uma nota de 100 dólares. Injuriado com aquela demonstração de ostentação gratuita, Lord Astor não deixou barato e acendeu sua amante com uma nota de mil dólares!
Os banheiros das suítes eram de uma luxo nababesco que deixava o Taj Mahal no chinelo. Ao lado do vaso sanitário todo em ouro maciço e brilhantes Cartier, havia um anão malaio 24 horas à disposição para realizar a higiene íntima dos magnatas abonados.
Enquanto os ricos chafurdavam em montanhas de caviar, nós lá na geral do navio só tínhamos o Leonardo di Caprio pra comer. Mas como a fila era grande, nem sempre sobrava um pedaço para a minha pessoa. Penalizado com a minha miséria, uma ratazana me ofereceu um pedaço de queijo que me sustentou durante toda a dramática travessia.
Numa noite fria, resolvi subir até a ponte de comando para fumar um baseado com o capitão do navio. O velho lobo do mar apertou um charuto de maconha que foi devidamente carburado por toda a tripulação. Inebriados pelos eflúviios maléficos da marofa, a Orquestra do Titanic começou a tocar os maiores sucessos de Bob Marley que, naquela época, não havia nem nascido. Enquanto todos estavam completamente emaconhados, o vigia, o único careta à bordo, gritou:
- Comandante! Um Iceberg à frente!
- Iceberg! Rosenberg! Goldenberg! É tudo a mesma coisa! Passa por cima! - retrucou o capitão do Titanic que, além de maconheiro, também era anti-semita e gostava de piadas velhas.
  Quando o mega navio começou a afundar, o pânico e a balbúrdia tomaram conta dos passageiros. Por todos os lados, víamos, assustados, efeitos especiais espetaculares! E agora em 3D!!! O que ninguém sabe até hoje é que o Titanic era uma obra do PAC, Programa de Aceleração das Catástrofes e foi todo feito nas coxas pra ser inaugurado em ano de eleição. As chapas de aço eram de madeira compensada, só havia um bote salva-vidas e dez bóias de patinho para todo mundo! Preocupados em salvar suas peles, visons, minks e malas Louis Vuitton, os milionários queriam escapar do naufrágio, salvar suas fortunas e afundar suas mulheres (necessariamente nesta ordem).

1 de abr. de 2012

A bruxa tá solta

Infelizmente, me faltam clichês e lugares comuns neste momento para comentar a morte do meu amigo pessoal (e impessoal também) Millôr Fernandes, o genial Millôr. Pena que o Millôr não possa comentar o seu próprio velório para demolir, uma a um, as bobagens que as pessoas estão falando sobre ele. É por causa do falecimento de pessoas como Millôr e Chico Anysio que eu sempre combati a morte com unhas e dentes e, até hoje, me recuso veementemente a bater as botas. Para desespero dos meus 17 leitores e meio (não esqueçam do anão que é o meu maior fã, quer dizer, menor fã).

Orfão de pai e mãe ainda na infância, Millôr, devido às más companhias, acabou caindo no jornalismo de imprensa. Conheci o Millôr no tempo da revista O Cruzeiro, a Veja daquela época, que era dirigida por Assis Chateaubriand que, mais tarde, desistiu do jornalismo para virar filé. Eu trabalhava de dia em A Noite, de tarde em O Dia e de noite em A Manhã. Brilhante, Millôr foi o maior frasista do Brasil, quer dizer, do mundo. Muito melhor que Oscar Wilde que pode ser considerado o Millôr Fernandes da língua inglesa. Millôr também traduziu Shakespeare para o português e ficou muito melhor que o original. Jogador inveterado, apostou tudo no Pif Paf, semanário de humor que os exames de DNA comprovaram ser o pai do Pasquim.

Escritor, jornalista, dramaturgo, desenhista e artista gráfico, Millôr também exercia a arte da conversa fiada com maestria. Ver o Millôr, ao vivo, falar com graça e inteligência sobre praticamente qualquer assunto era uma espetáculo admirável e, confesso, humilhante para nós, pobres mortais, que só usamos 10% da capacidade do nosso cérebro e assim mesmo só para pedir uma propina.

E como se não bastasse o Melhor Fernandes, lá se foi para a terra dos humoristas de pés–juntos o grande Chico Anysio. A Santa Casa de Misericórdia não tinha caixões em estoque suficientes para sepultar os 209 personagens do grande humorista, um dos poucos cearenses que não virou sushi-man. Além de seus personagens inesquecíveis, Chico Anysio contribui muito para o aumento populacional do Brasil fazendo um montão de filhos. Para pagar tantas pensões alimentícias, Chico teve que ralar até o fim da vida o que, aliás, foi ótimo pra nós, seus fãs, que também não conseguíamos sobreviver sem as suas piadas. Generoso, Chico também era preocupado com a educação e criou a Escolinha do Professor Raimundo que matriculou muitos humoristas, alguns até que não sabiam nem ler nem escrever. Polivalente, versátil e cheio de contas pra pagar, Chico fazia de tudo: escrevia, atuava, dirigia, fazia músicas e pintava. Pintava e bordava. A quantidade de mulheres maravilhosas que o esquálido pau de arara traçou supera até mesmo o número de personagens que criou.

E eu vou ficar bem quieto aqui no meu canto, na última página do Segundo Caderno, na minha, porque a bruxa está dando um rasante pro lado dos humoristas. Por que é que esta sinistra feiticeira não vai voar com a sua vassoura pro lado dos políticos, onde tem tanta gente boa pra morrer e, assim, dar uma alegria pro povo brasileiro?

22 de nov. de 2011

ENEM QUE A VACA TUSSA!


Antigamente o terror era o vestibular. Hoje em dia é o Enem. É quase a mesma coisa. A diferença é que antes, quando o candidato não passava, a culpa era só dele. Agora, se o sujeito vai mal na prova, divide a responsabilidade com o ministro da educação que sempre faz uma cagada. Outra novidade é que o colégio acaba se ferrando também. Muita gente deixa de matricular seus filhos num colégio cuja média no Enem é baixa. Sinceramente acho que os professores também deviam fazer uma prova. No mínimo pra tirar o corpo fora. E a gente ouviria o seguinte diálogo nos corredores:

Aluno: – Pô, me ferrei no vestibular! Não aprendi nada… também estudando nessa espelunca…Olha só a média do colégio no Enem.

Professor: – Não vem com esse papo brabo, não! Eu me dei bem na minha prova. Isso significa que ensinei tudo direitinho. Você é que não aprendeu porque é burro…

Às vésperas dos exames é comum matérias na tevê falando sobre a tensão dos candidatos. E o conselho é invariavelmente o mesmo: parar de estudar pra não ficar estressado na hora da prova. Alguns alunos, não querendo correr esse risco, acabam não estudando o ano inteiro…

A verdade é que hoje em dia o pessoal anda estudando cada vez menos. E muitas vezes a culpa é dos pais. Quando o cara começa a tirar notas baixas, ao invés de contratar um professor particular, eles levam o coitadinho num psicólogo que logo dá uma explicação:

- O garoto sofre de d.d.a. , déficit de atenção.

Cá pra nós, desde quando isso é doença? No passado, déficit de atenção era chamado de vadiagem. Ora, se o moleque não quer nada com o estudo e não presta a menor atenção na aula, é claro que ele vai ter déficit de atenção! Resultado: o garoto não tem nem trabalho pra arrumar uma desculpa pra sua preguiça, seus pais pagam um profissional pra isso!

Os pais atualmente fazem um esforço danado pra se convencer de que o problema é outro. Alguns não entendem como o filho se dá tão mal nos exames se ele passa o dia inteiro trancado no quarto na frente do computador. Como se o cara virasse a noite consultando a Biblioteca do Congresso Americano. E todo mundo sabe que o vagabundo passa o tempo todo no MSN, no twitter e no facebook!

Um outro motivo muito alegado é o bullying. Especialistas garantem que o aluno não estuda porque não quer ser discriminado na escola. Se for bom aluno, vai ser zoado pela turma e pode comprometer sua sociabilização. Deixa ver se eu entendi: o sujeito é inteligente, mas não estuda pra não ficar com fama de nerd. Depois não passa no Enem, não se forma e fica com fama de desempregado…. Essa solução não me parece muito inteligente. Ninguém quer parecer um nerd, de óculos fundo de garrafa e cabelo certinho, como se fosse uma versão 2.0 do Bill Gates. Não consigo imaginar uma gata na balada comentando com a amiga:

- Tá vendo aquele carinha ali, com a maior cara de bilionário americano do ramo da informática? Não vou dar pra ele, não…
                                                           por Helio de Lapena                                                            

27 de ago. de 2011

Gato-maracajá


Ordem: Carnívora
Família: Felidae
Nome popular: Gato-maracajá
Nome em inglês: Margay
Nome científico: Leopardus wiedii
Distribuição geográfica: América Central e América do Sul
Habitat: Florestas
Hábitos alimentares: Carnívoro
Reprodução: Gestação de 81 a 84 dias
Período de vida: Aproximadamente 13 anos

Pertence a Classe Mammalia, ordem Carnivora, família Felidae, sub-família Felinae, espécie Leopardus wiedii. É um gato selvagem da fauna brasileira, considerado de pequeno porte, com medidas que variam de 42 a 62 cm de cabeça e corpo, de 30 a 48 cm de altura, peso variando de dois a cinco kg e cauda medindo de 33 a 51 cm. Sua coloração também varia do amarelo ao marrom, ou castanho, tendo as rosetas largas, completas e espaçadas. Seus olhos grandes e a cauda longa são diferenças fundamentais para sua identificação. Atualmente ocorre desde as planícies costeiras do México ao norte do Uruguai e Argentina e em todo território brasileiro, menos caatinga e Rio Grande do Sul. Algumas referências mais antigas relatam sua presença também na florestas subtropicais no sul dos Estados Unidos. A fêmea entra em cio por volta de 6 a 10 meses, têm ciclo estral de 32 a 36 dias, com 4 a 10 dias de estro. Geralmente nasce apenas um filhote, raramente ocorrem gêmeos. O período de gestação é de aproximadamente 83 dias, tem hábito solitário e noturno, adaptando-se muito bem à vida arbórea. Alimenta-se de pequenos mamíferos, aves, répteis e alguns insetos. É classificado como vulnerável na lista de animais ameaçados. Em cativeiro pode viver 21 anos.
Fonte: Fundação Parque Zoológico de São Paulo

Jabuticaba-branca



Nome da fruta: Jabuticaba-branca

Nome científico: Myrciaria aureana

Família botânica: Myrtaceae

Origem: Brasil – Mata Atlântica

Características da planta: Árvore geralmente com 3 metros de altura, tronco com casca amarelada, ramos cilíndricos e terminais com pilosidade cinza-amarelada. Folhas lanceoladas, cartáceas, brilhantes, lisas na face superior e esparsamente pilosas na inferior. Flores de coloração alva, cálice esverdeado, aglomeradas nos caules e ramos.

Fruto: Tipo drupa, globosos, casca de coloração amarelo-esverdeada ou branco esverdeada, esparsamente pilosa, quando maduro. Polpa aquosa, ácida e adocicada que envolve as sementes levemente amareladas.

Frutificação: Verão

Propagação: Semente

A jabuticaba-branca não é branca, é verde; tão verde que sua árvore chega a ser conhecida como “aquela cujos frutos nunca amadurecem”. Amadurecem, sim, e tanto que já estão quase no final da vida, à beira da extinção. Não fosse o esforço de um grupo restrito de pessoas que decidiram dar nova chance à espécie, distribuindo centenas de mudas da planta para aqueles que se dispuseram a servir de guardiões dessa delícia quase esquecida.
Durante mais de dez anos, Silvestre Silva procurou exemplares dessa rara jabuticabeira para fotografar seus frutos. Encontradas com muito esforço nas proximidades da cidade de Guararema, no interior de São Paulo, junto com Flávio Carvalho Ferraz, Silvestre coletou boa quantidade da safra de três antigos pés da fruta ali existentes. Cuidadosamente preparadas por Dona Aparecida Ferraz, no sombreado pomar de sua residência no sul de Minas Gerais, as sementes se transformaram em disputadíssimas mudas, logo após a história ter sido divulgada no jornal Folha de S. Paulo, na metade da década de 1990.

Agora, para provar a fruta, é preciso esperar que as plantas espalhadas por diversos locais – desde cidades vizinhas à metrópole paulistana, a bairros centrais da cidade, até condomínios próximos a Belo Horizonte (MG), fazendas na Serra da Mantiqueira ou em quintais do litoral norte paulista – cresçam e reiniciem seu ciclo reprodutivo.

Por enquanto, quase só se pode falar da jabuticaba-branca como uma lembrança doce e remota do passado. Ainda no início do século 20, embora sempre em discreta quantidade, a jabuticaba-branca estava difundida por todo o Estado do Rio de Janeiro e em parte de São Paulo e de Minas Gerais, nos domínios da Mata Atlântica.

Costumava também habitar pomares e quintais caseiros, amedrontando meninos que, segundo relatos, a julgavam venenosa por seu aspecto exótico: ao contrário das demais frutas de pomar mais conhecidas, a misteriosa casca verde-clara levemente ondulada da jabuticaba-branca nunca mudava de cor.

Frutos sempre verdes

Assim como as jabuticabas e os cambucás, seus parentes da família das Mirtáceas, esses frutos encontram-se grudados aos trocos e galhos da pequena árvore, de belas folhas compridas e bem desenhadas. Juntas, aglomeradas como se estivessem se protegendo contra a devastação, as jabuticabas-brancas parecem ter mais força para lutar contra o esquecimento.

Mas aqueles que se atreviam a provar as jabuticabas-brancas davam-se com uma grata surpresa: a consistência mesma da polpa suculenta da jabuticaba, mas de um sabor mais suave e perfumado como de poucas frutas. Outros, entretanto, encontravam razões distintas para consumir a pequena fruta: nos tempos passados, era um santo remédio contra a asma e a diarréia, sendo também utilizada no tratamento auxiliar das afecções que acometiam os doentes em tempos de tuberculose. Segundo o escritor Hernâni Donato, para os cantores e românticos, a jabuticaba-branca era um conforto e um afago para a garganta, propícia companhia em noite de serenata.

Tudo isso muito antes de a planta ter sido batizada no Instituto de Botânica de São Paulo, em 1962, com o curioso nome de Myrciaria aureana. Mas, entre o branco e o áureo, a fruta permanece sempre verde, na eterna esperança de prosseguir existindo.

Fonte: Livro Frutas Brasil Frutas

23 de mai. de 2011

LHC atinge 100 milhões de colisões de partículas por segundo

O maior acelerador de partículas do mundo, o Grande Colisor de Hádrons (LHC, na sigla em inglês) situado próximo de Genebra, alcançou nesta segunda-feira um recorde, cruzando a "fronteira simbólica" dos "100 milhões de colisões por segundo", anunciou Michel Spiro, presidente do conselho do Centro Europeu de Investigação Nuclear (Cern).

O recorde foi alcançado "esta noite, por volta de 2h, na madrugada desta segunda-feira", afirmou Spiro durante uma conferência em Paris. Há um mês, o LHC tinha estabelecido um recorde de luminosidade, correspondente a "10 milhões de colisões por segundo".

"Agora multiplicamos esta marca por 10", disse Spiro. Fazendo colidir feixes de prótons que circulam em sentidos opostos em um anel de 27 km de circunferência, o LHC tem como objetivo recriar as condições de extrema energia da primeira fração de segundo depois do Big Bang, há 13,7 bilhões de anos.

Os físicos buscam em particular um elo perdido da teoria de partículas, o famoso bóson de Higgs, que seria a menor partícula que teria dado sua massa para todas as outras.

Para demonstrar sua existência, os cientistas poderiam dispor dos elementos necessários "a partir deste verão (no hemisfério norte)", explicou Spiro. Ao contrário, "para dizer que não existe, terão que esperar até o final do próximo ano", acrescentou.

Com 100 milhões de colisões por segundo, o LHC poderia produzir diariamente, em poucas horas, 1 bilhão de colisões, explicou Spiro. Neste ritmo, se o bóson de Higgs existir, poderá ser detectado "um por dia", segundo o cientista.

"Com um Higgs por dia, ou seja, centenas até fim de 2012", mesmo com o ruído de fundo poderemos determinar se existe ou não", resumiu o físico. "Caso o encontremos como esperamos, isso significaria que a teoria das partículas elementares não está correta", concluiu.

http://noticias.terra.com.br/ciencia/noticias/0,,OI5145385-EI8147,00-LHC+atinge+milhoes+de+colisoes+de+particulas+por+segundo.html

16 de mai. de 2011

Planeta com céu vermelho pode ser habitável, diz estudo

Um dos planetas que gira ao redor da estrela-anã Gliese 581d poderia ser habitável, com clima propício para a existência de água em estado líquido e vida, segundo um estudo que uma equipe de climatologistas acaba de publicar. O Gliese 581d, terceiro planeta que orbita ao redor da anã-vermelha, poderia estar em uma penumbra avermelhada, com uma atmosfera densa e uma espessa camada nebulosa.

Os astrônomos querem determinar se alguns dos 500 exoplanetas descobertos são aptos para abrigar a vida. Sete vezes mais maciço que a Terra e aparentemente rochoso, o Gliese 581d "poderia ser o primeiro planeta potencialmente habitável" descoberto até hoje, anunciou esta segunda-feira o francês Centro Nacional de Pesquisas Científicas (CNRS) em um comunicado.

Detectado em 2007 a 20 anos-luz (1 ano-luz = 9,5 trilhões de km) do Sistema Solar, o Gliese 581d foi considerado na ocasião frio demais para ser habitável, ou seja, com temperaturas compatíveis com a presença de água em estado líquido em sua superfície.

Este exoplaneta, que orbita ao redor de uma estrela pouco quente, uma anã-vermelha, recebe três vezes menos energia em comparação com a que a Terra recebe do Sol. Também é possível que tenha sempre a mesma face voltada para a sua estrela, enquanto a outra permanece em eterna escuridão.

Apesar das desvantagens, o Gliese 581d poderia se beneficiar de um efeito estufa, que lhe dá um clima "quente a ponto de permitir a formação de oceanos, nuvens e chuva", segundo uma modelização que ilustra "a grande variedade de climas possíveis para os planetas da galáxia", acrescentou o CNRS.

Nesta simulação, a equipe de Robin Wordworth e François Forget, do Laboratório de Meteorologia Dinâmica (LMD) do Instituto Pierre Simon Laplace de Paris, se inspirou nos modelos usados para o estudo do clima terrestre, ampliando a gama de condições possíveis.

Se tiver uma atmosfera densa em dióxido de carbono (CO2), o que é considerado muito provável pelos cientistas, o exoplaneta pode evitar a condensação de sua atmosfera na face noturna e inclusive ter um clima quente.

Após um fenômeno denominado "difusão Rayleigh", que dá a tonalidade azul ao nosso céu, a atmosfera terrestre reflete para o espaço uma fração importante do resplendor azul, limitando o aquecimento do nosso planeta. Um efeito que é pouco sensível com o vermelho, segundo os cientistas, cujos trabalhos foram publicados na revista científica The Astrophysical Journal Letters.


http://noticias.terra.com.br/ciencia/noticias/0,,OI5133390-EI301,00-Planeta+com+ceu+vermelho+pode+ser+habitavel+diz+estudo.html